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A força da união familiar é o segredo por trás do sucesso na atividade leiteira
Rodolfo, que cursava Agronomia, renunciou à faculdade para desenvolver a atividade leiteira. Em 2006, mudou-se para a roça e começou a produzir leite com 20 vacas — 10 que ganhou da mãe e outras 10 compradas da irmã. Na época, ordenhava cerca de 100 litros de leite por dia, à mão, e vendia o produto na rua, de camionete.
Em 2021, sua esposa Taynara, formada em Pedagogia e especializada em Deficiências Múltiplas e Intelectuais, deixou o trabalho na prefeitura para se juntar a Rodolfo na propriedade. O filho Maurício, que desde os 16 anos cursa Agronomia e já está no 5º período, dedica suas horas vagas ao negócio. Sophia, com apenas 14 anos, também participa ativamente: ajuda na ordenha e se dedica principalmente ao manejo das crias, aguardando o momento de iniciar o curso de Medicina Veterinária.
Toda a atividade é realizada pela própria família, sem funcionários. A rotina começa cedo, com a primeira ordenha às 4h30 da manhã e a segunda às 16h.

Rodolfo, Taynara, Maurício e Sophia – RTMS
Como o negócio tem evoluído,
Da ordenha manual, o produtor evoluiu para o sistema de balde ao pé. Pouco tempo depois, instalou uma ordenha com quatro conjuntos e fosso, e atualmente já conta com extratores e medidor eletrônico. Mas as mudanças estavam apenas começando.
Em março de 2025, foi inaugurado um compost barn com capacidade para 65 vacas em lactação. No início, os animais produziam em média 17 litros por dia. Com o aprendizado e a adaptação ao novo sistema, a produção já se aproxima dos 30 litros por vaca em lactação.
O investimento no galpão foi de R$311.578,87, o que representa cerca de R$4.793,52 por vaca alojada.

Compost barn inaugurado em março de 2025, capacidade para 65 vacas
Como o rebanho está estruturado,
O rebanho da propriedade conta atualmente com 126 cabeças, das quais 48 são vacas em lactação, representando 38% do total. Essa proporção é considerada positiva, já que o produtor utiliza exclusivamente sêmen sexado. Ainda assim, a meta estabelecida é alcançar mais de 50% do rebanho em lactação.
Outro indicador de destaque é o desempenho reprodutivo: 80% das vacas totais já estão paridas, o que evidencia a eficiência do manejo adotado.

De onde vem a comida do rebanho,
A propriedade conta com 2,5 hectares de pasto de mombaça e 12,5 hectares destinados ao cultivo de milho para silagem, tanto na safra quanto na safrinha. Na última colheita, a produtividade do milho alcançou 50 toneladas por hectare, um resultado considerado bastante satisfatório. Ainda assim, o objetivo de Rodolfo é intensificar o uso da terra, investindo em irrigação e buscando realizar até três safras por ano.

Alimentação das vacas no barracão
A suplementação com concentrado é realizada com ração formulada, adquirida pronta, e ajustada conforme a produção leiteira. As vacas são separadas em dois lotes para alimentação:
- 1º lote (16 vacas): 10 kg de ração balanceada + 2 kg de caroço de algodão + 4 kg de casquinha de soja.
- 2º lote (32 vacas): 6 kg de ração balanceada + 1,5 kg de caroço de algodão + 3 kg de casquinha de soja.
O primeiro lote apresenta uma produção média de 35 litros por vaca/dia, enquanto o segundo produz cerca de 20 litros. No total, a média do rebanho é de aproximadamente 30 litros por vaca/dia.
Há ainda um terceiro lote composto por vacas secas, que foram estrategicamente retiradas do compost barn para adequar o consumo de silagem ao rebanho em produção.
Todos os ingredientes da dieta são misturados pela própria máquina desensiladeira (TMR), o que torna a operação mais prática e eficiente para alimentar os lotes.

Desensiladeira e misturador do alimento
A tecnificação é o fundamento do negócio
O uso da tecnologia faz parte do DNA da família. Além do suporte da Lactalis, por meio do médico veterinário Lucas Correia da Milkplan, consultor do Projeto Lactaleite, o produtor também conta com a orientação de uma nutricionista do fornecedor de ração, responsável por formular a dieta dos animais.
Desde o início, diversas tecnologias foram incorporadas à rotina da propriedade, como o sistema de pasto rotacionado, a mecanização da ordenha, inseminação artificial, transferência de embriões, o sistema argentino de cria de bezerras e o confinamento.
Rodolfo recorda ainda o treinamento realizado em 2019 com o profissional paraguaio José Martinez, contratado pela Lactalis para a certificação das fazendas nas “Boas Práticas Agropecuárias” aplicadas ao processo de ordenha.
A cria e a recria das fêmeas e a Idade ao primeiro parto
Até três anos atrás, a recria não acompanhava o melhoramento genético que Rodolfo vinha buscando, o que impedia a plena expressão do potencial já conquistado. Segundo o médico veterinário Lucas, o ganho médio diário era de apenas 400g, e a idade ao primeiro parto chegava a 38 meses. Atualmente, essa idade, que já se encontra entre 27 e 28 meses, está projetada para ocorrer aos 24 meses.
A mudança começou com a adoção do sistema argentino de recria. Hoje, as bezerras são alojadas em casas individuais, onde permanecem entre 15 e 20 dias após o nascimento. O aleitamento é realizado com 2,5 litros de leite adensado (diluição de 2 kg de sucedâneo em 10 litros de leite), e a desmama ocorre por volta dos 90 dias de idade. Após essa fase, as bezerras passam a ser manejadas em lotes específicos para recria.
O melhoramento genético é uma prática constante na propriedade, e os resultados já são visíveis: algumas novilhas alcançaram produções de até 50 litros por dia.


Cria e recria das fêmeas
A produção de leite e a gestão do negócio,
Atualmente, a produção de leite da propriedade é de 1.320 litros por dia, com uma média de 25 litros por vaca. O controle leiteiro faz parte da rotina e nunca foi deixado de lado pelo produtor.
A construção do galpão representou um verdadeiro divisor de águas para a atividade, trazendo ganhos significativos em produtividade. Mesmo considerando o período de adaptação, já é possível observar um aumento de cerca de 7 litros por vaca/dia, resultado direto do novo sistema de manejo. Esse avanço se explica pela melhoria no conforto animal, pela redução da CCS e pela adoção da alimentação em regime confinado.
Os custos são acompanhados de perto pelo consultor, e os resultados econômicos atuais são positivos, tendo se fortalecido após a construção do barracão.

A implementação da terceira ordenha está entre os objetivos da atividade, com foco na elevação da produtividade.
O bom filho à casa retorna,
A relação do produtor com a Lactalis é de longa data. Rodolfo forneceu leite para a empresa entre 2019 e 2024, período em que consolidou sua parceria. Em 2024, houve uma interrupção no fornecimento, mas recentemente essa colaboração foi retomada.
O aplicativo Lactaleite, que também sofreu uma pausa e ficou sem atualização, encontra-se desatualizado. A expectativa é que volte a ser utilizado de imediato, retomando o lançamento dos dados zootécnicos e econômicos da propriedade.
O suporte do Clube do Produtor Lactalis
O produtor é parceiro do Clube e reconhece o valor das oportunidades oferecidas pelo acesso a produtos de qualidade. Por meio do Clube do Produtor, são adquiridos itens essenciais para a atividade, como o leite em pó utilizado no aleitamento artificial dos bezerros, os produtos de limpeza e higienização dos equipamentos e dos tetos, além do Muucare Nature.
A qualidade tem sido uma perseguição da família
A produção de leite de elevada qualidade é um dos principais objetivos da propriedade. Os resultados das análises realizadas sobre o leite entregue em dezembro de 2025 comprovam esse compromisso com a excelência:

Dados da folha de pagamento do produtor
Os resultados já garantem importantes benefícios dentro do novo sistema de bônus por qualidade, implantado recentemente pela Lactalis.
Objetivos e metas já estabelecidos
Elevar a média de produção por vaca/dia é uma verdadeira obsessão da propriedade. Entre os objetivos definidos pela RTMS estão a implantação da terceira ordenha e o uso da irrigação, medidas que visam intensificar ainda mais a produtividade.
A meta é ousada: alcançar, já em 2026, a marca de 2.000 litros de leite por dia.
Artigo por:
Antônio Carlos de Souza Lima Júnior
Eng. Agrônomo e Mestre em Agronegócios
Consultor da Lactalis
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