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Produtor do RS aplica tecnologia, acredita nas parcerias e faz sucesso na produção de leite

Produtor do RS aplica tecnologia, acredita nas parcerias e faz sucesso na produção de leite

1 jun 2026
Fernanda Steffens

Amarildo Miotto é produtor de leite em Taquaruçu do Sul, RS. Ele vem escrevendo uma bonita história na produção de leite sucedendo a atividade exercida pelo pai quando produziam e vendiam menos de 50 litros diários.

A diversificação em leite, corte e a suinocultura

A propriedade da família assumida pelo Amarildo em 2008 era compartilhada com a criação de gado de corte. A atividade de corte foi eliminada da empresa.

Em 2015, a mãe faleceu e havia pouca mão de obra. Por isso, até 2021 o número de vacas de leite se manteve entre 27 e 28 vacas apenas.

Em 2010 Amarildo começou a produção de suínos. Hoje é um negócio pujante e crescente na empresa da família Miotto.  A suinocultura evoluiu de 1.000 animais em 2012, para 2.400 em 2019 atingido 3.600 em 2024, atualmente conduzidos em quatro pocilgas em um sistema muito automatizado sendo operado por apenas um trabalhador.

Boas parcerias promovendo grandes mudanças na atividade leiteira

As parcerias feitas pelo Amarildo fundamentam o bom desempenho da atividade. A primeira delas é com a empresa compradora do seu leite que há 18 anos é a mesma. É importante destacar que a família Miotto nunca forneceu leite para outra empresa. Amarildo considera que a melhor solução para o produtor de leite é firmar uma parceria com a indústria que compra seu leite e é interessada no seu desenvolvimento. E na Lactalis o produtor se sente assim. Apenas para exemplificar em fevereiro de 2025 foram adquiridas 15 novilhas através projeto “mais vaca mais leite”, com juros subsidiados pela empresa.

Os produtos do clube do produtor são na maioria utilizados pelo Amarildo na atividade leiteira. Ele adquire adubo, sementes, ração para vacas, bezerros e pré-parto, sal mineralizado, sucedâneos, dentre outros. O Luís Filipe, técnico em Agropecuária e formando em Agronomia é o técnico de captação da Lactalis quem faz a conexão com a propriedade em todos os assuntos comerciais, os projetos e a qualidade.

A participação no Projeto Lactaleite desde 2023 foi mais uma decisão que veio para suportar o crescimento sustentável. O consultor Giliardi, médico veterinário, é quem contribui com as soluções técnicas em todos os pilares da atividade. Ele fez a primeira visita na propriedade em 11 de julho de 2023.

Nesta ocasião a atividade leiteira enfrentava momentos de dificuldades com baixa eficiência produtiva e econômica:

  • A produção era de 300 litros com uma média de 17 litros por vaca / dia
  • O custo de produção era elevado principalmente por causa de uma pequena atividade de gado corte que era desenvolvida juntamente com o leite
  • Haviam poucas novilhas e bezerras com muitas perdas e a reprodução era através de touro com monta natural
  • Altos custos de produção, compartilhados com a atividade de gado de corte
  • A ideia à época era aumentar as pocilgas, parar com o leite e permanecer com o plantel de corte
  • Conseguiu um funcionário e juntamente projeto Lactaleite “a vida mudou”.

Outra parceria que merece destaque foi a contratação do Marcelo Ferri, um funcionário que tem salário e participação por volume produzido. A contratação do Marcelo foi decisiva para a “virada de chave”. Ele executa a atividade praticamente sozinho. Nas folgas dele é o Amarildo e esposa Patrícia que assumem a ordenha.

O resultado e a empolgação que predominam na empresa indicam que proximamente será construído um Free Stall para abrigar de 70 a 100 vacas em lactação. O Marcelo vem estimulando o Amarildo a fazer este novo investimento.


Sentados Amarildo, à esquerda e Marcelo, à direita. De pé o consultor Gilliardi

A participação no projeto impactou em mudanças estratégicas e significativas

  • Aquisição de 15 novilhas via projeto mais vaca mais leite
  • Aquisição de botijão de sêmen com adesão ao projeto do sêmen sexado
  • Ajuste no manejo da criação de bezerras e novilhas
  • Melhorias e construção de novas instalações
  • Aumento e melhora no plantel

A comida dos animais é farta e de boa qualidade,

A propriedade de 45 hectares (ha) concilia a atividade de leite com um grande projeto de produção de suínos. São 25 ha destinados ao leite sendo 12,5ha destinados à produção de milho para silagem em duas safras anuais. São produzidos 1.250 toneladas de silagem, armazenada em três silos tipo trincheira. O rebanho é semi-confinado. A silagem é fornecida durante o ano todo

A produtividade média de milho para silagem é de 50 ton/ha. Esta boa produtividade se deve a grande disponibilidade de dejetos que são colocados na área de produção.


Silagem de milho e alimentação das vacas secas e novilhas

Outros 12,5 ha são utilizados para produção de aveia, trigo e azevém, manejados como pasto, no período de maio a novembro.


Vacas de leite pastejando as forrageiras de inverno

O dejeto da suinocultura é utilizado para a produção de forragens. Para obter ganhos logísticos o produtor faz uma troca de áreas com o irmão que produz soja e milho nas terras mais distantes para o acesso das vacas. Em uma área de igual tamanho, do irmão Amarildo cultiva as forrageiras de inverno facilitando o acesso das vacas que caminham menos para pastejar.

A ordenha e o manejo das vacas

A ordenha é canalizada com quatro conjuntos. A bomba de vácuo é grande, permitindo se necessário adequar mais conjuntos.

O horário de ordenha é 6:00 e 16:00h.


Consultor e produtor interpretando os indicadores do projeto Lactaleite

A seguir, os Indicadores de Negócios, retratando o bom desempenho

Os indicadores zootécnicos relacionados com a produtividade revelam o bom trabalho da empresa quando analisamos um ano de dados no período de março de 2025 a fevereiro de 2026.

A produtividade diária por vaca em lactação no período analisado foi de 27,4 litros. Quando medida por área foi de 17.782 litros por hectare. A idade ao primeiro parto das novilhas já é boa com 27 meses, mas o desafio é reduzi-la para 24 meses. O intervalo entre partos foi de 13,2 meses compatível com o período de serviço de 128 dias.

Quando olhamos os resultados econômicos o desempenho foi bom. O custo da mão de obra ficou em 5,6% da renda bruta da atividade considerado muito bom quando comparado com o benchmark de 10%. Já a despesa com concentrado foi de 40,8 % em relação a renda bruta, estando dentro dos parâmetros, mas indicando oportunidades de melhoria. O Ponto de Cobertura Total (PCT) foi de 1.065,6 litros, abaixo da produção de 1.072 litros diários produzidos no período. Apesar da queda de preços no mercado ocorrida no período analisado, o produtor obteve resultados econômicos interessantes. Todo os custos (fixos e variáveis) foram pagos com a renda bruta do leite. Nesta conta estão incluídos a mão de obra familiar e remuneração do capital investido na atividade.

Com relação à qualidade do leite podemos destacar a CBT de 23 mil UFC[1]/ml e a proteína de 3,4%. A CCS que já reduziu para cerca de 300 mil e o gordura apresentam ainda oportunidade de ganhos. Vale lembrar que o sistema de valorização pela Qualidade da Lactalis, recentemente revisado traz grandes estímulos, através dos preços, para a melhoria dos parâmetros de qualidade.

A estrutura do rebanho atual

O rebanho atual é composto por 100 cabeças das raças holandesa e Jersey. Com o uso de touros sexados o número de fêmeas de reposição está se elevando, representando 42% do total de cabeças como demonstra o quadro atual abaixo.

São apenas nove vacas da raça Jersey e as demais são da raça holandesa.

O crescimento vem impulsionando novos investimentos,

Foi construído um galpão para as bezerras e novilhas. Também foi feita uma área destinada às fêmeas no pré-parto. E um galpão para as vacas está em processo de discussão.


Bezerreiro coletivo, recentemente construído

A visão de futuro, objetivos e metas

Quando a intervenção técnica e gerencial do projeto Lactaleite começou em 2023 a Fazenda produzia apenas 300 litros diários. Em 2026 a produção deu um salto de quase quatro vezes. Mas o negócio segue crescendo e a meta para 2028 são 1800 litros com apenas 60 vacas em lactação, conforme a tabela abaixo.

Os números da tabela demonstram o quanto o produtor evoluiu com a tecnificação da atividade. No momento o rebanho está em crescimento, mas está previsto no plano estratégico da propriedade vender o excedente de novilhas buscando melhorar ainda mais a renda bruta do negócio.

Também está no “radar” da empresa do Amarildo, fazer genômica para acelerar ainda mais a melhoria genética através dos acasalamentos.

É relevante salientar que o número de vacas em lactação em relação ao número de vacas totais cresceu de 43,15% para 86,53% no período de 2023 para 2026. E a porcentagem de vacas em lactação, em relação ao rebanho total duplicou. Este indicador é muito bom porque no rebanho quem paga as contas da atividade são as vacas lactantes.

A sucessão da atividade

A filha de 7 anos, Maria Luiza tem no seu DNA a vocação para lidar com os animais. Ela gosta muito das vacas e principalmente das terneiras e já manifesta o sonho de se tornar veterinária. Amarildo que ainda é muito jovem, com apenas 37 anos, planeja prepará-la para seguir seu exemplo e continuar a atividade da família.

Os recados do Amarildo

Durante nosso “bate-papo”, Amarildo deixou claro algumas de suas convicções que gastaria de compartilhar.

“Parceria tem que ser bom para os dois lados”, referindo-se à sua crença em uma relação ganha-ganha.

“Sempre faço as coisas com os pés no chão”. Ele deixou claro que é preciso estar suficientemente preparado para tomar decisões.

“A empresa tem que fidelizar para crescer”. Uma crença praticada pela família Miotto é a vantagem de construir parceria duradouras.

[1] UFC – Unidades formadoras de colônias, indica o úmero de colônias de bactérias no leite

Artigo por:
Antônio Carlos de Souza Lima Júnior
Eng. Agrônomo e Mestre em Agronegócios
Consultor da Lactalis

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